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um blog sem nenhum compromisso com a verdade e/ou sanidade
Até a quarta série eu tinha uma arqui-rival, Camila. O nome dela não é Camila, claro. Mas é que eu sempre achei que era nome de vilã de novela, então rebatizá-la-ei. Retornando à história original, ela me odiava. Nunca entendi por que, já que ela tinha as Polly Pockets - só as minhas contemporâneas vão lembrar dessa.. hahaha - mais ultrafodônicas da face da Terra, sempre viajava para o exterior, tinha olhos azuis, era bem mais magra que eu, parecia uma daquelas crianças de revista. Camila levava seus brinquedos fodões para o colégio e, óbvio, não me deixava brincar. Aquilo realmente me matava.
O ápice do ódio dela chegou quando minha avó voltou da Alemanha. O reinado de importados da Camila tinha acabado. Ganhei roupas, brinquedos, absolutamente tudo que minha vó pôde carregar. Foi praticamente um Natal em agosto. Tinham três coisas em especial que eram novidades aqui em Fiofópolis: um tênis de Spice Girls (aqueles de plataforma), patins cor-de-rosa e uma Barbie que falava. Ela falava em alemão, então parecia que ela tava xingando alguém, mas era totalmente demais.
Ela ficou emputecida. Pra se “vingar” de mim, ela deu um jeito de sair mais cedo da aula de educação fÃsica e mexer na minha mochila. Quando eu e mais algumas pessoas chegamos na sala, encontramos ela rasgando a minha agenda, totalmente ensandecida. Camila levou uma baita bronca da professora, o que a fez ficar com ainda mais raiva de mim.
No ano seguinte ela finalmente trocou de colégio, e desde então nunca mais a tinha visto.
Alguns anos depois, encontrei com uma tia dela que tinha sido minha professora, e descobri porque Camila queria meu pescocinho: o sonho dourado da vida dela sempre foi ser modelo, mas ela é muito pequena. Quando eu era menor, crescia em progressão geométrica, então era bem maior que todo mundo. Parei nos meus atuais 180 centÃmetros.
Não chamo minha adorada cidade de Fiofópolis à toa. O colégio dela é o mesmo da minha irmã e hoje foi a abertura das olimpÃadas, quando todas as turmas de 5ª série ao 3º ano desfilam. Fui assistir a minha irmã, encontrei uns amigos e fiquei lá pra vê-los. Começaram os desfiles do terceiro, e lá estava Camila, desfilando com sua turma.
Ela está gorda. Escandalosamente gorda. Usando uma saia que mal cobria a bunda, com um piercing no umbigo e barriga de fora. Um queixo horrÃvel, cabelos pintados e porcamente alisados. Assustador. Só a reconheci porque minha mãe apontou, e mesmo assim demorei pra acreditar que aquele pitelzinho tinha se transformado naquilo. Sem contar que gordas de piercing são repugnantes. Se a barriga é feia, vai meter um piercing pra afundar na banha? Parece que não olham no espelho.
Mal sabia eu que me arrumar pra ver a minha sis teria, digamos assim, um plus a mais. A princÃpio eu tinha me arrumado porque um certo moço em particular estaria lá também. Nunca valeu tanto a pena ter penteado o cabelo.
Estava eu, bela e formosa, conversando com meus amigos quando ela me viu. Foi um momento de glória. Eu ganhei, eu sou superior. Só de ver a cara dela me olhando com aquele olhar fulminante, enquanto eu conversava com meus amigos, linda, alta, magra e com meus absurdamente fantabulosos óculos novos foi faaantástico.
Aaah me sinto praticamente de alma lavada. Anos de primário vingados. Queria que o post tivesse um final mais dramático, mas estou eufórica demais rindo internamente da cara de “sua vaca alta” dela. Yeah.