Archive for September, 2006

Sábado à noite

Primeiramente, peço desculpas pelo descaso com meu blogolino. Não foi escola nem nada que me impediu de postar. Quando postei, na última sexta-feira, eu já estava meio doentinha. Graças à uma série de fatos que descreverei a seguir, minha gripe ficou um milhão de vezes pior, evoluindo pra uma laringite fortíssima, o que transformou minha voz sexy em um ruído fraco, e me deixou muito mal. Ainda estou bem mais ou menos, muita tosse, dor de cabeça, etc. Mas é claro que eu não deixaria de vir aqui compartilhar o desfecho da maldição emo.

Pra começo de história, eu nem queria ter saído de casa no sábado. No entanto, era aniversário de uma amiga próxima, e já estava combinado há mais de um mês que sairíamos juntas para comemorar. Não tinha como fugir, eram apenas seis pessoas, contando com a aniversariante. Mesmo doente e com o terror da maldição pairando sobre minha cabeça, saí de casa rumo ao desconhecido.

A aniversariante passou aqui de carro, junto com o resto da patota, pra me pegar. Ela escolheria o lugar, e eu não sabia qual era. A única coisa que ela havia me avisado era que não deveria me arrumar muito, pois não seria chique. Imediatamente, meu sensor de perigo disparou. Ignorei e fui me arrumar. Tudo pelas miguxetes.

Já no carro, comecei a sentir algo estranho no ar. O Lounge - boate famosa de Fiofópolis - ficava no caminho oposto, o barzinho favorito da motorista já tinha passado faz tempo, e toda vez que eu tentava descobrir pra onde estávamos indo, ela me dizia “ah, é uma boate nova”. Eu, apesar de não ser muito “da noite”, não sabia de nenhuma boate nova na vila de Fiofópolis. Logo imaginei que estaríamos rumando para o CTG (Centro de Tradição Gaúcha) para um fantabuloso show de Gian e Giovane. Ou indo à uma rave. Fazia sentido, pois eu não gosto de voltar tarde quando saio, e naquela ocasião eu estaria presa à aniversariante. Se eu não soubesse para onde estávamos indo, não poderia reclamar e promover um movimento contra.

Uns 20 minutos depois, paramos em uma praia relativamente tosca de Fiofópolis. No fundo, eu sabia muito bem aonde as miguxetes estavam me levando - só que era cruel demais para acreditar. Sentamos em um banquinho no calçadão, e novamente tentei descobrir o que se passava. A aniversariante respondeu “o show só começa às 23:30, vamos sentar aqui pra esperar!”. Foi então que minha gripe piorou. Já estava mal, depois fiquei no sereno, parcamente agasalhada, por quase 40 minutos.

Retornando, às onze da noite adentramos o recinto, Barni’s. Bárrnis. Na fila, olhei o cartaz na porta. O show da noite seria o conjunto mundialmente reconhecido Sambaí. Sábado a noite, doente, cansada, pagando pra assistir um “show” de pagode. Não me lembro a última vez que me doeu tanto tirar uma notinha de dez reais da carteira. Assim que entreguei a minha notinha linda de dérreau na mão da moça do caixa, olhei pro céu, e a única coisa que me veio a cabeça foi: “por quê eu?”.

Já era tarde demais. Havia sido enganada e traída por minhas miguxetes. Estava em cubículo absurdamente pequeno, quente, escuro, socado de pagodeiros e ainda por cima com uma máquina de gelo seco. Como boa amiga que sou, na primeira música tentei sambar no ritmo. Depois da primeira música - um xucesso, por sinal - eles cantaram uma versão pagode de “bem que se quis”, da Marisa Monte. Aquilo foi demais para meu pobre coraçãozinho amante de boa música. Dei uma geral no lugar, procurando uma tábua de salvação. Não um macho, seus pervertidos. Um bar.

Meus olhos cintilaram quando encontrei-o ali, solene e fofinho no canto da espelunca. Me espremendo entre pessoas sambando, se agarrando e cantando histéricamente alguma música de corno, consegui chegar no bar e comprar uma smirnoff ice. Agarrei-a com todas as minhas forças, e protegendo a garrafa da massa insandecida, me dirigi ao local mais longe possível das caixas de som e me encostei na parede.

Ria da minha cara imaginando a cena ridícula. Eu, com uma smirnoff na mão, encostada na parede, quase dormindo. Achava que já tinha feito as pazes com os deuses do Rock. O que eu me esqueci é que eles são muito, mas muito engraçadinhos. Acharam que me socar numa casa de pagode não era suficiente para me fazer pagar.

Quando eu já estava longe, acima do barulho, tendo um devaneio fantástico, fui interrompida por uma leve batidinha no meu braço. O curioso é que foi justamente no braço do arranhão do pombo assassino do post passado. Continuando, olhei para o lado pra ver o que se passava. Um pagodeiro medonho, chato e jurando que era o Brad Pitt começou a dar em cima de mim. Usei a desculpa mais velha de todos os tempos, depois de “não é você, sou eu”: “vou procurar as minhas amigas e já volto”.

Corri enlouquecidamente até o banheiro, aonde tentei bolar um plano pra ir embora. Em menos de 20 minutos lá dentro, os deuses do rock já haviam me penalizado 2 vezes. Minha mãe haveria de me ajudar! Sorridente, tirei meu celular da bolsa pra tentar contactar a progenitora. Jimi Hendrix, não satisfeito, pregou-me mais uma peça: a porra do telefone não pega dentro do banheiro daquele pombal. Dei um grito tão histérico que uma pagodeira solidária bateu na porta pra saber se estava tudo bem. Respondi com outro grito.

Sai em pânico, com a fila do banheiro me olhando exatamente assim o_O”"”, rumo ao meu amigo bartender. Queria pedir outra smirnoff, mas como sou extremamente fraca, pedi água. O pagodeiro vagabundo novamente me achou, e me esquivei denovo. Por muito pouco, ele não me beijou. Meus reflexos não me abandonaram. Pelo menos eles.

Tentei achar as minhas amigas. Lá estavam elas, bem em frente ao palco, dançando e cantando enlouquecidas outro sucesso da rádio Guararema. Pedi, implorei pra ir embora, mas a bosta do som estava tão alta que elas não me escutaram. Ou estavam possuídas pelo demônio, o que também é uma possibilidade.

Já está tarde, então vou finalizar rápido. Já passou da minha hora da dormir.

Depois de passar quase meia hora - sem exagero - com o celular na mão procurando um lugar que tivesse pelo menos um risquinho de sinal pra pedir socorro, finalmente arranjei um cantão atrás de um segurança que tinha sinal. Minha mãe ficou puta comigo porque teve que ir me buscar às três da manhã num lugar longe pra caramba, e o combinado é que eu voltaria de carona.

Quando estava me encaminhando pra saída, claro que o pagodeiro dos infernos me achou, segurou meu braço e queria que eu ficasse, queria meu telefone. Menina delicada que sou, puxei meu braço e tive outro ataque histérico, dei uns gritos com ele e etc. Novamente, várias pessoas olhando pra mim com o_O”. Fodam-se os pagodeiros. Eu realmente não dou a mínima pra opinião de gente que acha que “Inimigos da agápê” é uma banda de verdade. Aliás, acho que isso ajudou minha dor de garganta - fiz uma força extraordinária pra gritar mais alto que a música, e imagino que tenha conseguido, pela cara de pânico que o mongo me olhou.

O pior de tudo isso é que depois ainda tive que pedir desculpas pras minhas amigas, pois fui embora sem avisá-las. Ficaram me procurando um tempão, pensando que iam me encontrar agarrada com algum pagodeiro pelos cantos, ou algo do gênero. Humilhante do começo ao fim.

Realmente, essa noite foi tão tosca que eu não sei nem como vou terminar o texto. Bom, farei eu um apelo entonces. Façam o favor de fazer mais perguntas no CWAL (link ali na esquerda, na parte “about the queen”), porque do jeito que está não dá.

É, sem finais dramáticos. Minha criatividade tá que nem a minha voz - um ruído quase inaudível.

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