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um blog sem nenhum compromisso com a verdade e/ou sanidade
Esta semana tem sido bizarra. Se eu pudesse transformá-la numa palavra, seria “blosh” - é pesada, estranha, e me lembra cocô. Estou numa fase altamente - eca - emo: cansada, com olheiras, doente e sem tempo.
Graças a essa fase terrÃvel, fiz uma desoberta interessantÃssima. Descobri que emos tem uma razão pra saÃrem por aà ouvindo musica ruim e tentando se matar com elásticos amarrados no pulso. Um fato terrÃvel, assustador e paranormal.
A malidição dos emos.
Eu estava perigosamente em cima da linha em quÃmica e fÃsica. Mesmo precisando de nota, estudei do jeito Gaby: pouco, rápido e ainda achei que sabia tudo. Tava jurando que ia tirar um dez na prova e tals, me achando a fodona.
No meio do caminho entre o colégio e minha casa, tem uma praça e a catedral. Ambas enormes, muito cheias de pombos. Caminhava alegremente pela praça, cantarolando “welcome to my life” quando um pombo aterrisou na minha frente. Eu, como de costume, estiquei o meu pé pra chutá-lo. Pela primeira vez em quase dezoito anos, acertei a porcaria do pombo. De leve, mas pegou.
Fiquei satisfeita em atingir o pombo, que imediatamente sumiu em uma árvore próxima. Ouvi uma risadinha abafada, vinda de um banco um pouco mais afastado. Olhei pra trás - era um velhinho bizarro. Senti algo levemente demonÃaco naquela risada. Do nada, passam quatro pombos dando um rasante na minha cabeça. Sim, eles aparentemente são aves de rapina. Um deles passou a uns 5 centÃmetros da minha cabeça, o suficiente pra me deixar mortificada. Ingênua, achei que tinha despertado alguma ira pombal (HAHAHA), quando, na verdade, se tratava apenas da maldição.
Continuei a andar, agora bem mais rápido do que antes, quando senti uma suave batida no meu braço. O velhinho filho da puta havia jogado uma pipoca em mim, que caiu em cima da minha mochila - uma daquelas de usar do lado. Em um reflexo absurdamente rápido, tirei a mochila do ombro e a pipoca caiu no chão. 0,47 segundos foi o tempo que levou pra eu ficar presa no meio de uma revoada de pombos revoltosos lutando por um floquinho de pipoca.
Saà chutando todas as pombas ao meu redor, batendo numas com a mochila, outras com o braço. Nunca tinha visto tantos pombos juntos. Lembrei-me com saudades da espingarda do meu tio. Depois de conseguir sair do meio do bacanal de pombos, corri o mais rápido que eu pude pra sair da porcaria da praça. Espantada, descobri que algum pombo assassino tinha arranhado meu braço esquerdo. O velhinho ria histéricamente da minha cara.
Atravessei a rua, achando que tinha me livrado da maldição.
Sentei pra fazer a prova. Abri minha apostila de quÃmica porque ainda faltavam dez minutos. A inspetora seria a famosa Loiraça Belzebu, uma gordona frustrada do mal. “Foda-se, eu nem ia colar mesmo”, pensei, fechando a apostila. Começou a prova. Não sabia fazer quatro questões de fÃsica e três de quÃmica, sendo que cada prova tem dez questões. Olhei as fórmulas pra ver se era de alguma ajuda, mas tinham variáveis ali que eu não tinha nem idéia do que eram.
Chutei algumas, entreguei e fui embora. Claro que não passei pelo meio da praça; contornei-a. Demorou bem mais tempo, mas eu tinha certeza que se eu passasse por dentro da praça, meu destino seria o mesmo da pipoca. Foi então que começou a chover, muuito forte. Sempre carrego um guarda-chuva em minha mochila. Naquela segunda-feira, por algum motivo paranormal, ele não estava lá. Liguei para minha mãe, pra saber se ela poderia me buscar, e ela não atendeu. Continuei a caminhar. Descendo uma ladeira, cai de bunda no chão molhado.
Sem dinheiro pra pegar um táxi, sem guarda-chuva, ferrada em fÃsica e quÃmica, com meia e calcinha ensopados, retomei a caminhada. Passei por um point emo-gls de Fiofópolis e a ficha caiu. Finalmente me toquei que estava sob efeito de uma maldição emo, e não dos pombos desgraçados.
Chegando em casa, depois de um loongo banho, recorri a uma entidade superior para que me libertasse. Fiz um altar com todos os meus discos do Jimi Hendrix, Ramones, Beatles e John Frusciante. Implorei que me perdoassem pelo deslize do Simple Plan. Acendi velas, incenso, fiz oferendas, jurei que nunca mais ouviria qualquer música de baixa qualidade por vontade própria.
Observando meu sofrimento e arrependimento, os deuses do rock me perdoaram e estou feliz novamente. Duas questões de fÃsica e uma de quÃmica foram anuladas - ou seja, todo mundo ganhou o ponto da questão - aumentando minhas notas para 8 nas duas provas. Jimi Hendrix tem o poder.
No entanto, não tenho certeza se a maldição é emo ou dos pombos, porque até hoje não passei pelo meio da praça. Talvez volte lá acompanhada, daqui há uns dez anos.