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17 de setembro de 2006
Delicada Flor
postado às 10:35 em Fábulas. 12 comentários.

Oh céus, Wonderland está ficando levemente superpovoado. Tudo bem, é legal ser popular por uma semana :D

O texto foi escrito para a redação do simulado de hoje. Me fizeram acordar às 7 horas da manhã em um domingo. *suspiro*.
Aos FoFoLuXoS, vocês estão novamente dispensados de ler o post. Devido às circunstâncias atuais, eu não vou me importar com comentários “ual seu blog é lindo beijos”. Porque afinal de contas, ele é lindo mesmo. (risada maléfica). Prontos?

Cristina sempre condenara a inveja. Quando em uma rodinha de amigos falavam mal de alguém, ela ficava indiferente. No final do assunto, com um ar intelectual informava que a inveja era um pecado mortal, e que, graças à Deus, não possuía este mal em seu coração. Ela era vista como uma menina extremamente virtuosa; um anjo. Apenas Cristina sabia que não era nada além de uma excelente atriz.

Trancada no quarto, ela mergulhava em um mundo paralelo, só dela. Libertava-se das roupas largas, do coque apertado no alto da cabeça e se transformava em uma deusa, com as pernas de Luísa, os olhos de Joana, os cabelos de Paula e o namorado de Ana. Se Cristina tivesse apenas um pouco do que elas tem, seria tão mais feliz…

No mundo real, quando observava as “quatro perfeitas”, como ela as apelidara em segredo, sentia leves pontadas de ódio em seu coração. Já havia se acostumado a invejá-las com um semblante pacífico, ao mesmo tempo que seu interior ardia em chamas. Ninguém jamais desconfiara da virtuosa Cristina. Era como se tivesse duas personalidades distintas: a flor delicada e a sorrateira erva-daninha.

Todos os dias ao acordar, Cristina postava-se na frente do espelho para fazer o habitual coque. Naquele domingo em especial, estava nervosa, pois os próximos dias ficariam marcados como a primeira vez que ela seria superior às quatro perfeitas. Ouvia uma melodia vinda de longe, e mesmo achando música uma perda de tempo, tentou identificar qual era em vão. Sorriu, o som lhe agradava.

Há muito tempo vinha se preparando para aquele momento. Olhou para o relógio - apenas uma hora a separava de seu grande triunfo. Sentou-se no chão e começou a sonhar acordada. Ela estava na televisão, dando uma entrevista e sendo fotografada. Seu nome apareceria em muitos cartazes e propagandas. Finalmente seria causadora da inveja alheia. Foi bruscamente arrancada de seu devaneio glorioso pela forte chuva que começara a cair.

Cristina apressou-se em pegar seu guarda-chuva e sua bolsa. Não sabia quanto tempo se passara. Enquanto abria a porta, olhou de relance o relógio da sala. Seu riso logo se transformou em pranto - atrasara-se muito. Sabia que os portões iriam fechar, a prova começaria sem ela. Seu sonho de glória e vingança ficara, novamente, restrito ao seu mundinho particular.



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