Disquetes from hell (parte II)
No último capítulo, eu estava prestes a colocar um plano genial em prática: fazer backup de arquivos utilizando apenas uma caixa de disquetes, num momento altamente kami-kaze.
Sentada na frente do Pentium I, depositei todas as minhas esperanças no antiquado pedacinho de plástico. Inseri com carinho no drive, nenhuma luz piscou. Péssimo sinal. Ainda cheia de esperanças, abri o “Disquete de 3½”, jurando que o pobrema estava resolvido. Claro que não. Os malditos disquetes me abandonaram denovo.
O Windows disse que eles precisavam ser formatados. Formatei-os todos, um por um. Naquela caixa tinha que ter algum que se salvasse. Minhas esperanças esgotaram-se, o computador não foi com a cara dos disquetes. Eu conseguia ouvir o som da caixa registradora da papelaria fechando e engolindo o resto do meu querido dinheirinho. Brasileira que sou, não desisto nunca. Peguei a maldita caixa de disquetes, nota fiscal e voltei pra papelaria. Não antes de, obviamente, esperar os felizes 10 minutos pelo elevador. Chegando lá, fui atendida pela mesma vendedora. Ela não parecia tão simpática agora. ¬¬
- Oi! Veio comprar mais disquetes? :D
- Não, na verdade esses aqui estão com problemas, queria devolvê-los.
- Ahn, ok. Vou chamar a gerente.
…
- Pois não?
- Eu comprei essa caixa de disquetes aqui há pouco tempo e (explico a história, cara de coitada, lalalá). Então eu gostaria de devolvê-los.
- Só posso aceitá-los de volta se estiverem com defeito. Vamos testar aqui no computador da loja.
A gerente pegou um disquete da caixinha, colocou no drive, e tchans! ELE FUNCIONA! Céus, mas que surpresa agradável!
- Eles estão funcionando.
- Não dá pra testar outro, só pra ter certeza? ó_ò
- Claro.
Tchans! Também funciona. Um milagre!
- Desculpe moça, mas não posso devolver seu dinheiro. Eles funcionam.
- Ok, obrigada.
Proferindo mentalmente todos os palavrões que eu conheço
O que poderia eu então fazer, já que o IBM era praticamente uma ilha? Pobre, infeliz e com dez disquetes na bolsa, estava sem idéias. Vaguei pela rua, saboreando a derrota informática, quando novamente fui iluminada pelo meu Bill Gates interior. Corri para casa - o que significa mais 10 minutos debaixo de um sol de rachar - e conectei-me à internet. Lembrei-me que o discador POP não funciona, mas ainda tem aquele negócio de “configurar conexão”. Tudo o que eu precisava era do número do POP pra discar! YEAH! O Windows não me pega :B
Para a minha alegria, a POP disponibiliza no site os telefones. Anotei, e novamente cheia de esperanças, retornei ao consultório de mamãe. Consegui me conectar a internet. Fazia pelo menos uns dois anos que eu não ouvia aquele barulhinho do modem. Tãão nostálgico *-*
Munida então de uma conexão de 40kbps, fui catar no Superdownloads um programa levinho de FTP pra baixar, já que o que eu tinha no meu CD-RW o computador se recusava a abrir. Digitei no Internet Explorer o endereço, apertei “enter”. O IE nem piscou. Cliquei em “ir”. Nada. Pelo visto, ele estava se vingando por ter sido trocado pelo Firefox. Novamente derrotada pelo Windows, dei uma volta pelo “Iniciar” procurando uma saída. E foi ali, num canto empoeirado e esquecido do Iniciar que os browsers alternativos me provaram que jamais me deixarão na mão.
Não sei como nem porque, mas o Netscape estava instalado. Mesmo ele não reconhecendo folhas de estilos (!) e dando centenas de erros de Javascript toda vez que carregava uma página, consegui, com muita dificuldade fazer o download do Leech FTP. Novamente, o Windows tenta me derrubar. O Leech estava zipado e a bosta do Winzip - em outro ato inexplicável - não estava instalado.
Outros vinte minutos fazendo download a uma taxa de fantásticos 3kbps, consegui o Winzip, instalei e deszipei a bagaça. Depois de anos esperando todos os arquivos serem enviados aqui pro servidor do Nuvem Pimenta, consegui finalmente fazer o backup dos arquivos. Foram três horas de sofrimento, o que significa que cheguei em casa e nenhum dos meus adoráveis familiares mortos de fome tinha me esperado pra almoçar. Mas não importa: eu ganhei do Windows. Headshot pra ele :D
Fiz os downloads aqui em casa, pronta pra fazer as etiquetas em 5 minutos. Infelizmente, me meti com o software errado. O Windows é chefe de uma máfia, da qual sou profundamente dependente. É claro que ele não ia deixar barato - um dos seus capangas se encarregou de me enfernizar: Word. Não consegui fazer as etiquetas, porque a margem das etiquetas mudava cada vez que a impressora imprimia uma folha, sem que eu tocasse em um único botão.
Frustrada e infeliz, com um pacote de 10 folhas de etiquetas inutilizado por mim e a minha incrível caixa de disquetes, não consegui cumprir a missão que mamãe me passou. Ou seja, nada de cartõezinhos de natal pros pacientes esse ano. Eu estraguei o Natal :/
Moral da história: disquetes não são seus amigos. Não confie neles. E nunca, jamais, subestime o Windows. Ele é o demônio em forma de bytes.
Fim.
Eu vou viajar, sem previsão de volta. Respondo comentários quando tiver paciência para tal. Não sumirei por muito tempo, porque sempre há um cybercafé ou um vizinho gentil por perto lá no buraco em que vou me meter. Mas como não volto antes do ano que vem, desejo a você, leitor miguxete, um 2007 fantááástico, com muito sexo, drogas e rock’n'roll :D
