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07 de março de 2007
Maldita seja a ocitocina
postado às 21:46 em Cientí­ficos, Diarinho. 16 comentários.

Aviso aos leitores miguxetes: devido ao meu apertadíssimo horário de estudo, não responderei nenhum comentário. Se você gosta de ler o blog e não se importa de comentar pela simples alegria de fazê-lo, ótimo, ficarei feliz. Caso contrário, a saída é ali na direita :)

Há algum tempo atrás, naquela época feliz dos meus 17 anos, eu escrevi um texto sobre os efeitos destrutivos da ocitocina no organismo de pessoas apaixonadas. Para aqueles que não lembram/não leram o post, um breve resumo: a ocitocina é um hormônio relacionado ao amor, que quando liberado em grande quantidade no sangue, faz com que a pessoa fique retardada. O gatilho para isso acontecer é a simples visão da pessoa amada.

Para comprovar a minha fantástica teoria, eu expus um experimento, que consistiu na observação e acompanhamento das atitudes de uma cobaia apaixonada. O que eu levianamente omiti, caros leitores, é que a cobaia patéticamente apaixonada e imbecil soy yo. Pois é. Imagino que seja uma decepção para todos os fãs que acharam que eu era uma badass motherfucká. Sem mais delongas, convido-vos a rir da minha cara.

Tudo começou em dezembro ano passado, com um breve affaire durante uma palestra sobre “mitos e verdades da correção das redações no vestibular”. Mesmo estando descabelada, deprimida e com o habitual look-zumbi de final de ano, foi lindo, fofo e etc. O problema é que vieram as férias, o fofo teve que retornar à sua cidade natal e decidimos “continuar amigos”, mesmo não sendo amigos antes de termos ficado. Coisas da juventude de hoje em dia, sabecomé. Enfim.

Mesmo nos falando pouquíssimo durante esse tempo e trocando eventuais scraps no orcú, conformei-me com minha vida de namorada distante. O fofo veio algumas vezes à capital, passamos algum tempo juntos e eu estava realmente gostando dele. Foi quando, antes de começarem as aulas, brigamos algumas vezes e decidimos terminar o nosso rolo. não me lembro de ter começado nada, mas como sou uma tr00 n00b nessa coisa de relacionamentos amorosos, segui o conselho da minha amiga maconheira e “fui com a correnteza”, o que quer que isso signifique.

Durante uma das minhas ocasionais visitas ao perfil orcútico do fofo, descobri que, devido a fantástica conspiração do universo, nossos horários de cursinhos e aulas seriam exatamente os mesmos. não preciso adicionar aqui que fiquei toda pululante, achando que iriamos passar tardes agradáveis estudando juntos. Sonhando acordada no melhor estilo Gaby de vida.

Começaram as aulas. Fazia bem uns dois meses que não o via, portanto ele ainda não tinha visto a minha recém-cortada franja sexy. Primeira aula, matemática. Coloquei uma roupa desarrumada-porém-bonita, arrumei o cabelo, enfim, me preparei para encontrá-lo. Já tinha até praticado a minha cara de “puxa vida, você por aqui?”. Estava pronta para atacar.

Como sempre, nada do planejado ocorreu. Cheguei no cursinho de matemática, sentei, olhei ao redor, nada dele. Além disso, não conheço ninguém lá. Estou totalmente isolada. Mas a esperança é a última que morre. Esperei, esperei, esperei. A aula começou e ele não chegou. Tudo bem, ainda tem o cursinho de física e de química.

Entrei glamurosa no cursinho física, última aula do dia. É, ele não faz aula de física no mesmo horário que eu. Resta a química então.

No dia seguinte, eu fui pra yoga, e cheguei cedo em casa. Como não tinha nada pra fazer e estava com preguiça de reler os livros ruins do vestibular, tive a brilhante idéia de pintar minhas unhas. Comecei a fazer isso umas 11h da manhã, sendo que a minha aula era as 14h. Teria então que sair de casa às 13h30. Beleza.

Pintando as unhas, fui atender o telefone e estraguei uma. Sem problemas, depois eu tiro com acetona e faço denovo. Terminei. Precisava portanto da acetona e de um palitinho para tirar os excessos e refazer a unha feia. Adivinhe o que sucedeu. não tinham palitos de dente muito menos acetona na minha casa. Fui almoçar, então iria na farmácia depois. Teria tempo suficiente pra consertar minha cagada.

Logo após o almoço, uma amiga chega aqui em casa e eu acabo perdendo a hora, dando adeus à idéia de ir na farmácia comprar acetona. Troquei de roupa super rápido e fiz um rabo-de-cavalo porco com meu cabelo. Colocando o tênis, estraguei as unhas dos dedos indicadores. Ok, rumo ao curso de química. Na metade do caminho, minha amiga se dá conta que esqueceu o celular na minha casa. Voltamos correndo, num calor de 30ºC debaixo do sol da uma hora.

Acabo chegando em cima da hora no cursinho. Suada, descabelada, com as minhas unhas pintadas da maneira mais porca possível e vermelha por causa do calor. Totalmente excelente! Arranjei um lugar, sentei e me joguei na cadeira. A aula começa, e nada do fofo. Nada. Comecei então a me auto-flagelar: “ele não vai fazer nenhuma aula comigo, afinal das contas. Nenhuma. Eu sou uma burra, patética e iludida. Caramba, como é que eu fui…”

E dai ele entrou na sala. Lá estava eu, vermelha, suada e descabelada, com a primeira camiseta da pilha e minha bermuda velha. Céus, porque eu sou tão amaldiçoada?

Meu coração começou a bater tão rápido e com tanta força que fiquei com medo que alguém pudesse ouví-lo, ou ver as palpitações. não podia ser vista daquele jeito. Enfiei a mão na mochila e tirei o meu exemplar do “Tudo o que você nunca quis saber sobre Yoga e jamais teve a intenção de perguntar”, abri em uma página qualquer e deslizei na cadeira. Minhas mãos tremiam convulsivamente. Lembrei-me de uma das técnicas de respiração que aprendi na Yoga e pensei “putz, essa coisa vai me salvar”. Pensei em alguma coisa zen, tipo bife de soja e comecei:

“inspira / segura / expira / segura
inspira / segura / caralho, deus queira que eu não esteja vermelha / tosse
expira / segura / OMG ELE ME VIU! / inspira / expirainspiraexpirainspira /
não, ele não me viu
inspira / segura / isso não está funcionando / expira / segura
quem é aquela morena falando com ele?
tosse / expira / inspira”

A técnica foi um fracasso, como se pode observar. Só consegui me acalmar quando o fofo saiu do meu campo de visão, obviamente. A aula transcorreu normalmente, quando chegou outro ponto crítico. A saída. Eis as minhas opções:

a) arrumar o material calmamente, olhar pra trás, fazer com que ele me veja, dar um tchauzinho simpático e sair;
b) arrumar o material calmamente, olhar pra trás, fazer com que ele me veja, dar um tchauzinho simpático e esperar que passe por mim, forçando uma conversa amigável;
c) socar o material na mochila e sair correndo como se o apocalipse tivesse chego.

Retardada que sou, escolhi a opção “c” e me mandei. Amanhã tenho aula de química novamente. Desejem-me sorte.



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