nuvempimenta.org
um blog sem nenhum compromisso com a verdade e/ou sanidade
Todos os meses, eu recebo uma visitinha bastante agradável que me lembra como é bom ser mulher. Além de sangrar sem parar durante um número variável de dias, mudanças significativas ocorrem tanto no meu apetite quanto no meu humor. A mais fácil de ser observada é, sem dúvida, no meu humor.
Há algum tempo atrás, uma amiga e eu fizemos uma aposta. Ela tinha visto um filme chamado “A Walk To Remember” - aquele com a Mandy Moore que ela morre no final - mais de cinco vezes e tinha se debulhado em lágrimas em todas. Eu iria assistir com ela, e se uma mÃsera lágrima rolasse, eu pagaria a pizza. O máximo que consegui foi olhinhos marejados, sem esforço.
Qual é o ponto dessa historinha toda? Simples, amiguinho: é muito difÃcil me fazer chorar. Mesmo. Não na TPM, claro. Durante essa época feliz, uma folha seca caÃda no chão é motivo mais do que suficiente para que eu chore como um bebê.
Quando eu tinha meus adoráveis quatorze anos, mamãe, irmã e eu fomos para os EUA. Na volta, o avião para São Paulo atrasou, fazendo com que perdessemos a conexão para Florianópolis. Sem problemas, certo? Existiam outros vôos além daquele. No entanto, para a minha cabecinha cheia de hormônios descontrolados, perder o avião foi praticamente o Armaggedon. Minha mãe foi falar com a mulher da Varig enquanto eu ligava para minha avó para informá-la sobre o atraso:
(…e a cidade de onde está falando. Turu-ru)
gaby: Alô?
vó: Gaby?
gaby: Oi vó. Eu só queria avisar que nos perdemos o vôo para casa e… *chora*
vó: O que foi? Aconteceu alguma coisa?
gaby: não.. a gente só perdeu… *soluça*
vó: PERDERAM AS BAGAGENS DE VOCÊS?
gaby: não! *chora*
vó: tais chorando porque então, Gaby?
gaby: eu quero voltar pra caaasa! *chora*
Acredito ser desnecessário adicionar aqui que desde então, esse episódio tornou-se motivo de chacota para toda a minha famÃlia, e é piada pronta em toda e qualquer conversa que envolva vôos internacionais. Especialmente depois que minha irmã, com seus então nove anos, ficou seis horas no aeroporto de Guarulhos com uma excursão do colégio, perfeitamente calma e controlada.
Terminada a minha pequena enrolação introdutória, cheguei finalmente no ponto do post onde eu começo a contar sobre como a TPM e a minha incrÃvel sorte destruÃram o dia de hoje.
Como alguns de vocês sabem, eu recentemente completei os meus tão sonhados dezoito anos e ingressei na auto-escola. Há tempos venho ansiando pelo dia presente, pois iria fazer a prova teórica do Detran, primeiro passo concreto em direção à minha CNH. Acordei, feliz, serelepe e pululante, pronta para gabaritar no cocô da prova, e me encaminhei para o local meia hora antes. A prova seria às dez horas da manhã. Ok.
Chegando no local, me sentei perto da porta. Só eu e mais um outro menino esperando. Na hora, meu sexto sentido sussurrou “sifu!”. Eterna Pollyanna que sou, ignorei e esperei. Dez horas e ninguém apareceu. Dez e cinco, bati na porta e entrei. Tinha um cara fazendo prova e uma tia do Detran sentada no fundo da sala. Eis que o seguinte diálogo ocorreu:
gaby: oi, a minha prova é agora à s dez horas e…
tia: não, a prova era às nove. :)
gaby: não, é ás dez. ò_ó
tia: nove, querida. nove.
gaby: mas o pessoal da auto-escola me disse que *olhos marejados* é às dez!
tia: vai ali fora que eu já vou.
Segurando-me para não começar a chorar ali mesmo, respirei fundo, juntei todo o resto de auto-controle que eu tinha e puxei o telefone pra ligar pra bosta da auto-escola.
Pulemos para a parte interessante da história. Não consegui fazer a prova hoje, então tudo o que me restou foi sentar e esperar mamãe vir me buscar. Quanto mais eu pensava nisso, mais vontade tinha de chorar. Então liguei pra minha melhor amiga, ri um pouco, etc etc. Quando deu exatamente trinta minutos esperando minha mãe, liguei para ela:
gaby: mãe?
mãe: oi!
gaby: onde tu tá?
mãe: já tô indo!
gaby: TU AINDA TAIS NO CENTRO?
Escorreu uma lágrima.
mãe: sim, mas eu já estou à caminho :D
E daà meu auto-controle acabou. Estava sozinha, frustrada, com vontade de comer chocolate e no meio do nada. Saà correndo em direção ao banheiro mais próximo, porque estava aos prantos. Eu estava aos prantos no Detran. Céus.
Enquanto eu soluçava no banheiro, entrou uma funcionária. E lá vem mais um diálogo simpático:
moça: tá tudo bem?
gaby: ss-sim *soluça*
moça: o que houve?
gaby: ah.. é que… *soluça*
(porra, eu não posso contar a verdade)
gaby: …meu namorado terminou comigo… por telefone *chora*
Consegui me acalmar e voltei para onde estava sentada. Tocou o telefone. Diálogo:
antonio: como é que foi a prova?
gaby: a.. prova? *chora*
antonio: caralho, tu RODOU?
Quando eu expliquei ele riu da minha cara três minutos. Não pelo atraso, mas porque eu estava chorando.
*chora*