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16 de setembro de 2007
O Muro
postado às 18:42 em Fábulas. 7 comentários.

Mais uma das minhas redações maluquetes. Enjoy.

Diante dela, uma barreira. Um muro alto, assustador e imponente. Não há desvios ou túneios para seguir em frente. Quanto mais confusa se sentia, mais alto ele ficava. Tocou-o, procurando sentir sua constituição e, para sua surpresa, conhecia cada centímetro daqueles tijolos, feitos com o seu medo e cimentados com sua fragilidade.

Reconheceu-os todos. Uns eram maiores, mais resistentes, feitos de suas experiências passadas. Os menores, insignificantes sozinhos, representavam a maior parte do muro.

Sentou-se, olhou ao redor. Não era tão ruim assim, era seguro. Os lugares, as pessoas, as lembranças. Poderia alimentar-se deles, ignorando todo o resto. No entanto, o muro era alto e crescia vertiginosamente, o que fazia com que uma penumbra triste banhasse tudo que seus olhos alcançavam.

Correu o mais rápido que pôde, tentando voltar para o lugar de onde saíra. Conseguiu, mas a visão aterrorizante daqueles tijolos escuros a perseguia. Ela percebeu que era inútil, pois cada pedaço daquela barreira foi colocado por ela. Aquele muro era dela, e só dela. Voltou e novamente sentou diante dele.

“Eu não tenho medo de você!”, gritou. Ele cresceu; sabia que mentia.

Num daqueles tijolos, um trauma bobo de adolescência. Durante uma apresentação de balé, caiu sobre duas outras bailarinhas. Quis morrer, todos riam dela. Então, percebeu que as cortinas haviam se fechado muito antes daquilo. Mesmo assim, não se perdoou e abandonou a dança. Quando voltou a si, ria como uma criança.

Ria daquela memória assustadora. E cresceu. Para seu espanto, aquele pedaço de lembrança sumiu. Quanto mais aprendia com seus medos e seus erros, maior ficava e mais tijolos sumiam. Surpreendia-se ao ver o quão insignificantes eles eram. Não conseguiu livrar-se de todos - restaram aqueles que lhe eram necessários.

“Eu não tenho medo de você”, sussurrou. E ele ruiu.



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