Amigos comprometidos
Minha vida amorosa é tão ativa quanto o metabolismo de um esporo. Não, não é exagerado. Eu tenho dezoito anos e nenhum relacionamento que tenha durado o suficiente para sequer ser tachado de “rolo”. Sou um desastre amoroso ambulante. Esse meu baleia-orca-encalhada lifestyle não me fornece experiência suficiente para opinar sobre qualquer tipo de relacionamento romântico. Justamente por isso ainda mantenho, creio eu, algumas expectativas.
Nos últimos anos, meus amigos engataram rolos, namoros, alguns falidos e outros persistentes. E foi vendo esses relacionamentos com os meus olhinhos de leitora de livros do Sidney Sheldon que eu me pergunto: serei eu ingênua - idealista, talvez - ou estará a juventude fodida perdida?
É justamente por achar que eu estou muito errada por ver o mundo do jeito que eu vejo que eu resolvi escrever este post. Vamos a uma análise rápida das situações mais bizarras pelas quais meus miguxos passaram com suas namoraduxas/seus namoraduxos. Os nomes foram trocados para preservar minha integridade física.
Situação 1
roberval: ei gabi, eu não vou poder ir almoçar contigo hoje.
eu: por quê?
roberval: ah, a josefina…
eu: como assim, “a josefina”?
roberval: ela tem ciúmes de ti, né gabi.
eu: caralho! explicasse pra ela que nós somos amigos desde a 5ª série, e que tu eras apaixonado por (uma outra amiga nossa) e eu dava uma de cupido? que eu tentei te empurrar pra pelo menos umas três meninas diferentes?
roberval: aham.
eu: e…?
roberval: ela jogou a aliança (de compromisso) em mim, começou a chorar e ameaçou terminar nosso namoro.
O que eu teria feito: só pra começar, eu jamais aceitaria usar uma coleirinha aliança de compromisso no primeiro mês de namoro. Como já falei nesse post, acho esse exibicionismo em namoro recente uma babaquice. Segundo, belíssimo jeito de conquistar os amigos, antagonizando e impedindo o namorado de vê-los. Espertalhona a mocinha. Mas, voltando a “o que eu teria feito”: sem dúvidas, juntado a aliança, jogado de volta e dito “aproveita e enfia no rabo”. Substituindo “rabo” por um monossílabo terminado em “u”.
O que o Roberval fez: não foi no almoço, obviamente.
Situação 2
creide: ainn gabi, tu não sabes o que o Clodoaldo fez!
eu: não sei mesmo :D
creide: ¬¬
eu: :D
creide: ele foi lá em casa, olhou no bina (telefone fixo com identificador de chamadas e registro de todas as chamadas recebidas/feitas) e achou o número do Roberval várias vezes e agora ele cismou que nós temos um caso!
eu: O_O e o que tu fez enquanto ele mexia?
creide: eu tava no banho.
eu: e quando ele veio tomar satisfações?
creide: ah a gente brigou, eu chorei, (…)
O que eu teria feito: roundhouse kick. Só.
Essa atitude tornou óbvia a falta de confiança e, especialmente, de respeito. Eu sabia que o Clodoaldo era um ciumento psicopata e etc, mas eu nunca imaginei que ele seria capaz de tamanha merda.
O que a Creide fez: brigou com ele, chorou, me telefonou, reclamou dele durante duas horas - sem exagero - e fez as pazes.
Situação 3
(Joacir é um amigo meu que toca vários instrumentos musicais, adora música e etc.)
clotilde: (…) o joacir queria se inscrever pra um programa de estrangeiros na Julliard…
eu: cara, QUE DEMAIS! a Julliard é uma das melhores escolas de música do mundo, sem contar que é em Nova Iorque.
joacir: é, mas eu acabei nem me inscrevendo.
eu: PORQUÊ?
joacir: ah.. sei lá…
clotilde: e se ele fosse aceito nós teríamos que ir morar lá.. e eu não quero morar em Nova Iorque.
O que eu teria feito: áááh Clotilde, se eu pudesse te dar o chute que você merece…
Bom, eu teria enviado a minha inscrição, e já que a madame não quer ir, uma passagem só de ida pra Namíbia pra ela. Aliás, porque ela deveria ir junto? Eles devem ter se casado e eu não fui convidada.
O que o Joacir fez: não mandou, não foi e continuou sua vidinha feliz ao lado de sua namorada-âncora.
Situação 4
Estávamos eu e Creide à caminho do Bob’s para almoçar antes de uma aula de matemática, quando toca o telefone dela. Era o Clodoaldo, eles brigam, ela chora - no meio da rua.
eu: credo, o que foi dessa vez?
creide: é que pra poder almoçar contigo, eu tive que mentir pro clô que a nossa aula começava às 13h, só que daí ele entrou no site do cursinho e viu que começava só às 14h e ficou dizendo que eu tava com outro, que eu tava traindo ele, e como é que ele pode ter certeza se eu estou contigo se eu menti (…)
Tudo isso com a cara inchada de choro, soluçando, no meio do calçadão. Bom, eu sou uma pessoa muito espontânea. Então imagine você a cara que eu não fiz quando minha miguxa falou o que o Clô fez.
O que eu teria feito: tudo bem que a Creide mentiu, mas… ele passou dos limites (denovo). Outro roundhouse kick na conta do Clô.
O que ela fez: as pazes.
E daí?
ALTAS pessoas que os meus miguxetes arranjaram, não? Discutindo esses fatos com a Creide, ela me respondeu o seguinte: “ah, Gabi, tu és muito intransigente”. Se por intransigente ela quis dizer “alguém que tem amor próprio e não pretende aturar merda e se anular por outra pessoa qualquer”, então eu sou mesmo. Depois, pra coroar, a Crê ainda acrescentou: “tu pensas assim porque nunca namorasses. Isso é amor, Gabi. Quando tu arranjares um macho, essa tua chatice aí vai pelo ralo”.
Eu achava esse pedaço de “você-vai-ver-quando-desencalhar” uma babaquice, achava que eu sempre ia pensar assim. Até hoje pela manhã. Há duas semanas atrás vi uma menina na rua usando um Crocs e pensei: “caralho, que coisafeiadodemônio”. E hoje saí do shopping não só com o meu amado par de Crocs azul-bebê, como também comprei uns Jibbitz para torná-lo ainda mais chamativo e meiguxo.
(clique para ver maior)
Terão minhas convicções amorosas o mesmo destino da minha opinão sobre os Crocs?
