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12 de fevereiro de 2007
Estudo sociológico sobre o amor
postado às 13:15 em Cientí­ficos, Toptops. 29 comentários.

(Perdoem-me a ausência, mas o meu ócio não têm sido nem um pouco criativo. Prefiro não postar a escrever qualquer porcaria apenas para atualizar o blog.)

Eu, Gabriela Nunes, futura psiquiatra e dona do planeta Terra, tenho o prazer de apresentar-lhes mais um dos meus fantásticos estudos sociológicos. O primeiro, sobre elevadores, foi um sucesso total. Rendeu, inclusive, algumas ligações inconvenientes de cientistas, sociólogos e jornalistas da Globo e da Science Illustrated, interessados em comprar os direitos do meu estudo para uma posterior publicação/filmagem. Neguei, claro. O mundo não está preparado para minha genialidade. Fico feliz em afirmar que este é maior, melhor e mais científico. Acomode-se em sua cadeira, caro leitor, e prepare-se para desvendar todos os mistérios do amor comigo. Ui!

Você, que é uma pessoa cool, inteligente, serelepe e engraçada, já perdeu a conta de quantas vezes gritou interiormente um “PORQUÊ?” depois de envergonhar-se na frente do objeto de sua afeição? Já sofreu com os sintomas da paixonite aguda - vermelhidão incontrolável, o suor frio, as pernas bambas, a total e completa ausência de raciocínio lógico, falta de ar, congelamento muscular? Se sua resposta for sim, meus parabéns. Você é um adolescente miseravelmente apaixonado.

A comunidade científica não sabe como - nem porque - tantas reações adversas e involuntárias são desencadeadas apenas pela visão do ser amado. No entanto, após anos de observação minusciosa, aliada a uma série de experiências de alto risco, eu tenho o orgulho de informar-lhe, caro leitor, que eu sei o porquê disso. Sem mais enrolação, vamos ao que interessa.

Se você freqüentou o colégio, provavelmente sabe que na sua cabeça fica um órgão muito interessante, que comanda todas as nossas funções vitais, o “cérebro”:

Cérebro
(clique para ver maior)

Quando o ser idolatrado entra em nosso campo de visão, o hipotálamo libera na corrente sangüínea quantidades enormes de ocitocina, também conhecido como “hormônio do amor”. A medida que o tempo passa, a concentração do hormônio no sangue aumenta vertiginosamente. Uma das conseqüências disso é, além da aceleração dos batimentos cardíacos, a desidratação do cérebro.

Isso mesmo, leitor. Desidratação do cérebro. Devido a enorme quantidade de hormônios no sangue, um processo de osmose começa a ocorrer em todo o corpo. Isso se acentua no cérebro devido a grande abundância de vasos na região. O órgão perde tanta água, que deforma-se com uma rapidez quase instantânea. Eu, com instrumentos de tecnologia de ponta e alta precisão, consegui uma imagem do mesmo cérebro acima, só que sob efeito da desidratação causada pela ocitocina:

Como podemos observar, o cérebro diminui consideravelmente de tamanho e toma uma forma estranha. Lembra-me de algo que infelizmente não consigo identificar. Enfim, devido à diminuição da massa encefálica, o cérebro dá preferência às funções essencialmente vitais. A intensidade da desidratação varia de pessoa pra pessoa, dependendo do nível de atividade do hipotálamo, tamanho do cérebro, entre diversos outros fatores internos.

Minha teoria da desidratação cerebral foi comprovada através de um experimento muito simples. Observei durante alguns meses o comportamento de minha cobaia - chamá-la-emos de Patrícia. Acompanhei de perto suas ações cotidianas e em contato com seu objeto de desejo, Bruno. Vamos às situações observadas:

Situação “a” - o primeiro contato
pessoa qualquer: Oi!
Patrícia: Oi! :)
Patrícia corresponde automaticamente ao estímulo social da “pessoa qualquer”.

Bruno: Oi!
Patrícia: ahn.. oi o_o
J? sob efeito da ocitocina pelo simples fato de Bruno ter entrado segundos antes no seu campo de visão, Patrícia leva um tempo maior para responder ao estímulo social. O cérebro precisa cancelar outras ações - algumas contrações musculares de baixa importância, por exemplo - para conseguir ativar a fala.

Situação “b” - conversa superficial amigável
pessoa qualquer: você viu aquele filme novo do Will Smith?
Patrícia: “A Procura da Felicidade”?
p.q.: esse mesmo!
Patrícia: Vi sim, adorei (…)
Pat lembra-se do filme com rapidez e logo emite uma breve opinião sobre o filme

Bruno: você viu aquele filme novo do Will Smith?
Pat: filme? Que filme?
Bruno: “A Procura da Felicidade”?
Pat: ??… (olha pra cima tentando lembrar)
Bruno: não?
Pat: ah, claro! Eu vi sim.. hã.. ontem.
Raciocínio lento, além do congelamento muscular e ausência de respiração por alguns segundos.

Situação “c” - elogio
p.q.: cortou o cabelo?
Pat: sim :)
p.q.: nossa, ficou ótimo.
Pat: obrigada!
Sem problemas nem constrangimentos. Simples e lisonjeiro.

Bruno: cortou o cabelo?
Pat: (congelada) aham.
Bruno: ficou ótimo. você parece mais velha assim.. estou impressionado.
Pat: (fica vermelha) ahn.. bem.. eu.. obrigada.
Patrícia faz tanta força para conseguir pensar que todo seu sangue sobe para a cabeça, fazendo com que ela fique vermelha e o processo de desidratação torne-se ainda mais intenso. Ela mal consegue responder ao elogio.

Com essas três situações, tenho certeza que comprovei com sucesso minha teoria. Ainda não descobri como evitar a desidratação cerebral ou porque nos apaixonamos, mas isso é apenas uma questão de tempo. Continuo minha busca incessante por respostas tão esclarecedoras quanto esse estudo.

E não se esqueça: imprima um button da Nuvem Pimenta, cole na testa e me envie uma foto, e você será incluído no meu discurso de agradecimento quando estiver recebendo o Nobel de Medicina por esta descoberta fantástica. Mandarei fotos de Oslo.



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