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um blog sem nenhum compromisso com a verdade e/ou sanidade
Este começo de post é dirigido às leitoras miguxetes. Se você é um leitor miguxete, feche a porta do cômodo em que você se encontra, relaxe na cadeira e libere seu lado Clodovil. Eu sei que você tem um, leitor. Não adianta esconder.
Pronto! Agora que somos todas moças jovens e serelepes, posso começar. Imagine você um homem. Não um qualquer, mas aquele bom partido. Bonitão, intelectual, educado e engraçado. Além disso, rico, com um emprego público estável, mora bem e tem um carro legal. O homem dos seus sonhos, o genro que mamãe sonhou pra você. Seria realmente bom se esse homem não só existisse, mas pudesse ser encontrado por R$19,99 numa prateleira das Lojas Americanas, certo?
Pois é. Acredite se quiser, mas esse homem existe. Não à venda nas Americanas, mas existe. Apresento à vocês meu tio, Carlos. O nome dele não é Carlos, mas enfim. Não muda o fato de que o “homem perfeito” é meu tio.
Leitor miguxete, você pode pausar o YMCA que estava tocando aí, tirar os sapatos de salto da sua mãe e devolver as plumas que você roubou da sua irmã. Seu lado feminino não é mais necessário.
Continuando, ele tem uma série de defeitos, claro. O pior deles é que, desde que ele se separou, tio Carlos insiste em se interessar somente por mulheres com idade entre 20-30 anos, mental e socialmente desfavorecidas. É claro que ele não falou assim. As palavras dele, me lembro bem, foram “agora quero só novinhas, burrinhas e pobrinhas”. Exatamente assim. Mencionei que ele tem 42 anos?
Não vamos entrar no paradoxo “Marilia Gabriela & Reynaldo Gianecchini”. O meu problema é com combo “pobre/burra”. Até então, as namoradas de titio tinham sido apenas novinhas e um pouco menos favorecidas. No entanto, a atual - Kelly - é praticamente uma participante do Big Brother Brasil. Peituda, bundão, cabelos compridos e burra como uma maçaneta.
Após ter sido devidamente apresentada à nossa família, Kelly e tio Carlos seguiram para uma viagem romântica em Buenos Aires, retornando sábado passado. Domingo, eles foram até a casa de minha avó, onde eu e minha irmã passávamos o final de semana. Sobrou pra mim fazer sala pra ela. Minha enrolação agora se faz desnecessária. Presenteá-los-ei com a mais fiel transcrição da conversa.
gaby: então, como foi?
kelly: ai Gaby, foi tão legal Gaby! Mas o teu tio é um velho, Gaby! Ai Gaby, ele é muito desanimado, Gaby! Tive que carregar ele pros lugares, Gaby! Acreditas Gaby? Ai Gaby!
g: ahn.. certo. Fizeram city tour, viram tango…?
k: aii Gaby, nem sabes! Fomos num cemitério aonde os mortos são enterrados EM PÉ, GABY, EM PÉ!!
g: (ataque histérico de riso)
k: (olha sem saber qual é a graça)
g: ahh tá, então passeando pelo cemitério tu ouviu uns “POF” e “TUM”, né?
k: (continua olhando confusa) como assim, Gaby?
g: o barulho dos membros apodrecidos dos defuntos caindo no fundo do caixão, oras. (outro ataque). putz, será que eles pregam as pessoas no caixão pra que elas realmente fiquem em pé? (chorando de tanto rir)
k: (ainda olhando sem entender) ai Gaby, eu vou pegar a máquina e te mostrar! Eu bati uma foto, Gaby!
g: (o riso foi substituído pelo medo) tu bateu uma foto do lado de um caixão?
k: claro né Gaby, eles são enterrados EM PÉ, GABY!!!!
Como eu não tenho a foto da Kelly aqui, catei uma qualquer no google e modifiquei no Paint pra aproximar da verdadeira. Clique aqui e observe o interessante cemitério da Recoleta, onde pessoas são enterradas de pé.
g: (começo a rir tanto que parece que minhas bochechas estão em chamas)
k: que foi?
g: isso é um mausoléu, Kelly. É tipo uma casinha. A pessoa tá aí dentro num caixão normal, deitada. Aliás, nem enterrados eles estão (sua anta!). Tá vendo, se eles estivessem enterrados… (percebo que continuar é inútil, porque ela realmente tem um QI de maçaneta). Bom, deixa pra lá.
k: hum. (guarda a máquina, faz uma cara de nojo contido e é óbvio que ela continua acreditando que os defuntos ficam de pé)
g: e o meu tio foi contigo no cemitério?
k: ai Gaby, não foi não, Gaby. Ele é um velho né Gaby, ficou no hotel, Gaby. Mas foi comigo na Terra Santa, Gaby!
g: Terra Santa? Mas a Terra Santa não fica no Oriente Médio?
k: (olha confusa) não, Gaby, é em Buenos Aires né Gaby!
g: mas que diabos é essa Terra Santa então?
k: é um parque, Gaby!
g: e o que tem lá?
k: ai Gaby, é tão lindo Gaby! É a Terra Santa, Gaby!!
Nessa hora, tivemos que chamar meu tio pra explicar o que era a tal da Terra Santa, porque a jamanta da Kelly simplesmente não conseguiu. A capacidade de se expressar dela é realmente algo além da minha vã compreensão.
g: tio, a Kelly tava me falando que vocês foram numa tal de Terra Santa.. o que é isso?
carlos: ah, é um parque temático. Sobre Jesus.
g: vocês foram no parque temático de Jesus? (ataque histérico de riso) Sério tio.
c: sim, estou falando sério. Um parque temático de Jesus. Uma reprodução da Terra Santa. (olha pra mim com um riso contido). Ela me obrigou.
g: PARQUE TEMÁTICO DE JESUS! A Disney comprou a Igreja Universal? (chorando de rir)
k: …
g: Putz, daqui a pouco vai ter o Parque Aquático “Arca de Noé”. E a atração principal vai ser “a travessia do Mar Vermelho”.
k: ò_ó
g: és evangélica, Kelly?
k: não.
g: então, contaí. Dá pra pegar autógrafo de Jesus e dos apóstolos do mesmo jeito que dá pra pegar do Mickey? Bateu foto com Maria Madalena?
c: (cai na gargalhada também)
k: (continua olhando sem entender a graça)
g: Tem um filme 3D com aquelas cadeiras que se mexem da Última Ceia? Ou a montanha-russa do Monte das Oliveiras? (rolando no sofá de tanto rir)
k: (ainda sem entender nada) ai Gaby, tu vai pro inferno, Gaby!
g: inferno o caralho, eu vou é pra JESUSLÂNDIA!