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16 de outubro de 2006
Cards Pokémon no Paraíso
postado às 10:47 em Devaneios, Pseudointelectual. .

Este post é de cunho religioso. Adianto que sou agnóstica, portanto, se você se sentir ofendido por qualquer coisa que eu tenha dito e desejar expor seu ponto de vista, contra-argumentar ou fazer alguma correção, sinta-se à vontade. Mi caixa de comentários és su caixa. Nada contra uma argumentação inteligente de uma pessoa civilizada. Agora, se você não gostar, tiver meio neurônio e quiser me ofender com “sua pecadoraHHH vai arder nuh marmorih duh infernUHHH!!!!111″, por favor, dirija-se à Igreja mais próxima, pague o seu dízimo e não me incomode. Pronto, agora posso começar :)

Quando eu tinha lá meus nove anos, meu bisavô faleceu. Teve início então todo aquele questionamento sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos, etc. Minha mãe me explicou que seu Geraldo estava agora no paraíso: um lugar melhor, calmo e eterno. Na minha cabeça, essa idéia de eternidade não era - e ainda não é - perfeitamente compreendida. Já imaginou ter que viver por todo o sempre no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, as mesmas situações? E o pior de tudo: sem mocinhos e bandidos! Uia vida sem sal :/

“Um lugar melhor”. Desde pequena sou dada à esses meus devaneios, sabe como é, portanto comecei a imaginar como deveria ser. Como boa treinadora pokémon, logo visualizei um lugar com batatas-fritas do McDonald’s à vontade, todos os cards Pokémon que eu quisesse - inclusive um brilhante do Jigglypuff -, entre outras besteirinhas do gênero. Fora isso, aquela parte original de todo mundo vestido de branco ao lado do Criador e tal. A única diferença é que o chão seria de nuvens, não colinas verdejantes, como aparece na bosta de “A Viagem”, aquela novela horrível da mesma escritora de “O Profeta”. Imagino que nessa novela nova ela também dê aquelas viajadas toscas sobre espíritos e tal. Felizmente, eu tenho coisas melhores pra fazer do que assistir novelas. No entanto, quando estava passando “A Viagem” no “vale a pena a ver denovo”, eu assisti um pedacinho que… bom, deixa pra lá. Foi mal. Onde eu estava mesmo?

Claro que à medida que o tempo passava, minha idéia de felicidade foi mudando. Ainda gosto de pokémon - só dos 151 primeiros, os outros são bizarros -, mas passei por novas experiências e situações. Veio a primeira comunhão, com aquela lavagem cerebral católica de bem/mal, deus/diabo, pecado/salvação e todas aquelas outras coisas sem sentido. Fiquei profundamente assustada com a idéia de “deus” que eles me passaram. Como poderia eu viver pela eteridade à direita - ou seria à esquerda? ou será que era Jesus e não eu quem sentaria ao lado dEle? putz! - de um cara que me jogaria numa churrasqueira gigante caso eu não o cultuasse, fosse boazinha com o próximo e o pior: não brigasse com a minha irmã?! Me rebelei e virei atéia, logo após acidentalmente morder a hóstia na primeira comunhão. Gostaria de descrever como foi, mas isso já é outra história. Caramba, hoje eu tô me perdendo demais o_o

Novamente perdida, fui conversar com uma amiga espírita. Fazendo uma simplificação bestíssima do que ela me falou, era o seguinte: tu morres, e daí voltas de outra forma. Pode ser um homem, uma brabuleta ou uma barata. Mas que fantástico, não? Tanto sofrimento, tantas memórias, tanta história, algum engraçadinho aperta o “reset” e lá vai tudo denovo, até sermos purificados. Não entendo como ser um golfinho ou um pernilongo vai poder mudar alguma coisa, mas enfim. Além de amedrontada, fiquei com raiva. Que bosta, não acaba nunca! Queria pisar numa nuvem e comer batatinhas conversando com algum morto legal :/

Fiquei um longo tempo atordoada com essa coisa de “espíritos” e encarnações - confesso que até hoje não gosto de dormir na total e completa escuridão. De mal com a Igreja Católica, com medo do espiritismo, em que eu ia acreditar? Lá fui eu ser wicca. Sempre tive uma queda pelo paganismo. Desde pequena amo a natureza e sou extremamente sensitiva, por isso minha neura com espíritos e coisas do além. Nessa época, eu já devia ter, pelo menos, 12 anos. Conversando com uma amiga wicca, beem mais velha que eu, uns 20 na época, ela me explicou como era.

Gostei. Era fofolê, tinha a Deusa e cultuava a natureza. Demaaais! Então ela começou a me falar dos Sabaths e um outro lá que eu não lembro o nome. Aliás, nem sei se “sabath” tá certo, realmente não me lembro. Seriam datas específicas em que eu deveria desenhar um círculo no chão, à noite, com os pontos cardeais certinhos e pelada deveria celebrar as estações e a Deusa. Pelo amor de… whatever! Celebrar a tal da Deusa até tudo bem, agora, pelada? Tenha paciência. Ficar pulando por aí em um círculo desenhado no chão é quase tão tosco quanto rezar sem saber o que se está dizendo. Ela nem chegou na parte de “para onde vamos”. Talvez até tenha chegado, e foi tão horrível que eu preferi deletar.

Enfim, segui durante anos sem uma religião específica. Hoje, na aula de redação, o tema era justamente esse: “religião”. Não exatamente o pós-morte, mas a espiritualidade em si. Como a aula estava um porre e era em datashow, comecei a me questionar: afinal, em que eu acredito?

Pra ser beem sincera, acredito em mim. Um tanto egocêntrico, é verdade. Este terrível ano - vestibulaar :/ - todo mundo começa a rezar, frequentar igrejas, pedir pra todo e qualquer santo por um milagre pra passar. Que tipo de deus seria esse que beneficia um em detrimento do outro? Porque pra cada um que passa, mais de uma dezena fica pra trás. Pode até ser que exista um ser superior muito além de nossa vã compreensão. Eu acho que há algum tipo de “justiça cósmica”, que funciona numa lógica muito simples, igualzinha àquela frase que todos conhecemos tão bem, a Terceira Lei de Newton, o princípio da ação e reação: “Para toda ação há uma reação oposta e de igual intensidade”.

Pensando assim, o que eu recebo é proporcional ao que eu faço, tornando-me minha própria deusa. Fantástico! Pensando assim, vivemos num mundo de sei lá quantos trilhões de deuses. Parece bobo e simplista, mas na minha flutuante cabecinha, me esforçar para obter o que desejo, me amar e me cultuar faz mil vezes mais sentido do que idolatrar um pedaço de gesso ou ficar escutando um velho alemão maluco dar sermões como se ele fosse o dono da verdade. Novamente, tema para outro poste.

Depois de toda essa viajada legalzona, eu consegui redefinir o meu paraíso. Primeiro que o Paraíso é uma festa open-bar, que nem aquela comunidade. Funciona assim: tem o estacionamento, lugar aonde ficam os malvadões e tal, a festa, que seria equivalente ao limbo, e a área vip, morada dos bons. Eu ficaria no limbo provavelmente. Suponhamos que eu descubra a cura pra alguma doença má e vá pra área vip. Ninguém de branco, todo mundo do jeito que quisesse.

Na porta, você é diagnosticado e enviado pra uma das três áreas. Se você for pra festa, independente do limbo ou paraíso, primeiro você passa por uma espécie de criador do The Sims. É, dá pra mudar tudo o que você não gosta. O nariz, a boca, tudo - mas só nessa única vez. Um velhão gordo e simpático com óculos escuros te dá as instruções, o convite e te põe pra dentro. Comida à vontade, cada pedaço um tipo de música, e lá no cantão um lugar legal pra quem cansou de dançar. Feeesta o/

Toca pra área vip, depois de pegar uma cuba. Tudo lindo, um bar reluzente de uma liga de metal desconhecida. O barman é um anjo simpático, sem asas. Muito habilidoso, por sinal. Conversando com ele, o maior pé-de-cana de todos os tempos: Vinícius de Moraes. Mais a frente, John Frusciante conversando com Jimi Hendrix e Hillel Slovak. Um bufê gigante de sorvetes Passione. Ovomaltine em litros. Musse de chocolate, Twix e leite condensado até não poder mais. Tudo isso sem calorias, claro. Afinal, seremos seres feitos.. de luz! :D

Ééé. Bem melhor agora. E se você entrar na área vip, procure por mim. Eu serei a moça alta jogando pokémon com o John.

Prometo que quando terminarem as provas eu respondo os comentários. :D
Ah, não se esqueçam de joinar na minha fanlisting. Não adianta disfarçar, eu seei que você me ama. Hahaha :D



12 comentários

ahhh, como eu faço p/ ir pra área vip??? =D
prometo ser uma boa garota :}
rsrs

gostei da sua viagem, e da sua conclusao que cada um somos deuses…
a sua eh menos egocêntrica que a minha…. p/ mim, eu sou o unico deus, e vcs sao todos criações minhas =]
legal, n?!
hehehe

me espera q quero jogar pokemon com vc e o john!!
:*


por Carol
18/12/06 às 13:11.

Uii!! Como seria meu paraíso? As pessoas leriam livros em segudos! Seriamtodos inteligentes, mas em níveis diferentes, com culturas diferentes. Todos com um humor parecido com o seu, com o da Apocalipse Não (do love-memory) e com o Luis Fernando Veríssimo. Aliás, ele seria o meu Vinícius alí em cima.

Bem, não queria nem falar de religião aqui porque não tenho láminhas crenças definidas. Mas vivo numa asa de espíritas (com exceção do meu pai, que é ateu) e nunca ouvi esse papo de voltar como barata não. Sempre ouvi que a gente voltava gente. E que não lembrava do paraído pra não querer se suicidar! xD
Mas algo que sempre achei muito injusto no espiritismo, até então, é esse barato d’eu pagar por coisas que fiz em otura vida…e que não lembro! E pq eu não lembro das outras vidas? Pra não surtar? Dae eu surto por não lembrar! xD

Até agora, o budismo me pareceu o mais bonitinho. Quer dizer, nunca entrei tão a fundo, mas ele parte do princípio que qualquer uma de nossas ações influencia no mundo inteiro, literalmente. Em cadeia. Acho o máximo! Me sinto importante , sabe? Imagina… eu dou um sorriso pra alguém hoje e influencio um casal enamorado no Japão? Chique!

Yah! Agora descobri como vc faz esse seu undeline de pirulito, tá? Nhe nhe!!
;******


por Bruh
18/12/06 às 13:11.

Hahaha, Gaby, esse final foi ótimo…
Me imaginei com algumas das fodásticas celebridades que sempre queria ter conhecido algum dia… John Lennon tocando violão e Chopin no piano, demais!!!

Falando de religião e querendo ser chata, acho que o q vale não é se apegar a alguma coisa… e sim ter fé, simplesmente fé. Acreditar e persistir em alguma coisa faz milagres, mais do que qualquer religião possa fazer… :)

Parabéns pelo fanlist xuxu :*
Quem não tem site não tem vez? Fica com Deus… hahahaha sacanagem


por Pri
18/12/06 às 13:12.

o_O” Jesus. Haja fantasia! Uhahahahaha
Que divertido. o/

No fim das contas, eu queria não morrer. Ser um elfo. :D Viver eternamente, acumulando sabedoria e blá blá blá.

Sendo sincero, me preocuparei com religião na hora da morte. Se der tempo.

Engraçado post, Gaby! :}


por Shino
18/12/06 às 13:13.

Eu acho que sua amiga espírita está mal informada… Em algum ponto da minha existência, eu fui um animal, mas sei que, hoje, sendo eu uma pessoa, nunca voltarei a ser um animal. Nenhum espírito retrocede. A “purificação” é gradativa e o tempo que levará, depende de cada um. Entendo seu ponto de vista quando diz ser você mesma a sua deusa, mas creio eu que você não deseja passar por cima de ninguém, acreditando no seu potêncial e buscando sua vitória, mas não posso dizer o mesmo de todas as pessoas na face da terra. Por isso e para isso a noção de respeito ao próximo. Está certo que muita coisa ensinada nas igrejas (sejam católicas ou não) é pura fantasia mal interpretada dos textos da Bíblia, mas isso se releva, já que antigamente (bem antigamente) a religião era usada como meio de manipulação, certo? Infelizmente, muitas coisas permanecem como eram. Não tenho religião, sou espiritualista (o que é diferente de espírita), vejo/sinto/ouço muita coisa que não gostaria de ouvir, se é que você entende… Aprendi que não dá para ignorar certas coisas que existem independente da nossa crença ou não. E quanto ao paraíso, confio em Deus que ele seja não só bom, mas legal também!
Desculpa o comentário gigante, haushaus… Desculpa mesmo! xD~ Mas é que gostei muito do seu post! ;*


por Mari
18/12/06 às 13:14.

nossa quebrei a cara, achei que NUNCA iria conseguir ler um post tão longo que fosse tão impolgante. quebrei a cara :P parabéns nossa ‘deuzulivre’ ;) achei muito interessante o post mesmoo, aah e jura eu não ia neem pensar em fazer algo para uma Deusa, PELADA ainda, loquearam O.o heuhueihueihie
parabéns tudo lindo, prometo visitar mais vezes :D


por jeeh strey õ>
18/12/06 às 13:14.

heeeeeey!
adoreeei esse post *_*

primeiro, também sou uma pokemaníaca UHASUHSAAHS 8D

segundo, adorei a sua idéia do Paraíso! *-*

aaaaaah… Não que eu seja atéia - pois acredito que existe algum Deus, sim! - mas váárias coisas que você disse tão certas… tipo, parece que a gente tá na Idade Média às vezes! Até hoje a Igreja se aproveita da “ingenuidade” do povo e consegue faturar com isso o_o Tipo, a Igreja Universal… tá NA CARA que aquele dinheiro todo que doam por mês não dá em coisa honesta/boa,. padres que molestam crianças… u_u cada palhaçaca…!

post super original, como o seu blog *-*
adoreei aqui x3
kissu =*


por Paula
18/12/06 às 13:15.

gostei daqui x]
e ameei o post.
as vezes eu penso nisso de religião e tudo mais..
mas nunca chego numa conclusão xD~

mas. ahm. na sua concepção de paraíso, por mim tanto faz se fosse open-bar ou não. eu não gosto de bebida mesmo hehehe

e. uhsuahsua essa da wicca de dançar pelada num círculo eu não sabia xD
coisa bizarra.

o do espiritismo, também conheço assim. vai, volta, como animal, pessoa ou sei lá o quê.

mas. na verdade. eu imagino que. assim que você morre. não vai pra lugar nenhum.
sei lá. você apaga e reaparece como outra pessoa nascendo.. sem lembrar de nada.
mas tudo assim bem rápido.
como se fosse uma “reciclagem”, sabe?!
rs.

mas mas. nha. é isso..
voltarei mais vezes aqui =D
bejo bejo!


por nathy
18/12/06 às 13:16.

Oi!
Eu tb já pensei em tudo.. acho que essa é nossa tarefa aqui, pensar pensar e pensar.. No motivo da vida, p/ onde vamos etc..
Ain que chique sou deusa tb? ;D
Mas sei la , a gente tem que ser a pessoa mais importante do mundo mesmo.

Bjs!
Eu vou voltar a jogar pokemon aqui no pc ;D Pokemon sahpier o/


por Mary
18/12/06 às 13:17.

Mesmo assim mil descupas Gaby!
Beijos! Fica com Deus!


por Rah
18/12/06 às 13:17.

beibe, eu quero muita cerveja.
e doce pra encher a pança.
te vejo la o/


por naiara
18/12/06 às 13:18.

Você só pode reencarnar como ser humano, eu sei disso porque eu sou mais ou menos espiríta.O mais ou menos se deve ao fato de desde que eu nasci a minha mãe me arrastar para o centro espírita contra a minha vontade, por isso eu me tornei ninja no assunto ;).
Ser espírita só é legal porque ninguém te obriga a nada, nada mesmo.
Mas eu não sei se eu ia gostar que o paraíso fosse uma festa porque sabe eu sou muito chata em todas elas, eu queria que ele fosse igual a Disneylândia só que eu seria a rainha suprema das coisas e não Deus.Mas aí eu tô viajando demais…
Eu acho!

PS: sobre os golfinhos nos nossos filmes eles até podem participar desde que você ceda a minha fantasia de vestir um de Hitler.Golfinhos só se fazem de inocente.


por Irena
18/12/06 às 13:19.

solta a franga!

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