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11 de julho de 2007
Olelê, olalá, as cotas vem aí e o bicho vai pegar
postado às 11:08 em Pseudointelectual. .

Estou indignada porque este é o meu ano de vestibular e porque sou uma burguesinha inútil sim. Não serei hipócrita de afirmar que estaria tão possuída se isso não me atingisse.

Seguindo a fantástica tendência de “inclusão social” de diversas universidades federais no país, a UFSC resolveu que a partir deste ano, não dez nem vinte, mas trinta porcento de suas vagas serão destinadas à cotistas. Destes, 20% serão para oriundos de escolas públicas, e outros 10% para afrodescendentes.

O projeto - que já foi aprovado, portanto passará a vigorar a partir do vestibular deste ano - é tão ingênuo e discriminatório que eu nem sei por onde começar. Pelo óbvio, talvez. Qual é a sua cor, caro leitor? Você é branco, que nem aquelas criancinhas alemãs que aparecem no Travel Channel? Bom, a minha eu não sei. Quando exposta ao sol, me bronzeio rapidamente e não descasco, características de uma pele negra. No entanto, se não passar filtro solar pareço um camarão, característica da pele da alta plebe européia. O que serei eu então? Uma parda? Talvez. O ponto é: como a maioria da população brasileira, eu não me encaixo em nenhuma das “raças”. Nossos negros não são tão negros quanto os da África, da mesma maneira que os brancos não são tão brancos quanto os europeus, salvo exceções.

As nossas escolas públicas são uma vergonha. Professores ganham menos que o pipoqueiro da pracinha, são agredidos e humilhados por alunos fora de controle. A qualidade das escolas é deplorável, bem como a qualidade de ensino. Então, como é que querem que um aluno que nunca foi submetido a um nível decente de ensino ingresse numa universidade com nível de excelência reconhecido internacionalmente? Como é possível alguém com pouco - senão nenhum - conhecimento básico sobre qualquer coisa, que mal e mal concluiu o ensino médio querer chegar até o fim em um curso superior?

Um problema do sistema reconhecido pelas universidades é a evasão. Uma das brilhantes soluções de algumas universidades é dar uma bolsa para os cotistas. A Universidade Federal de São Paulo dá um benefício R$300,00. Suponhamos que a UFSC adote o mesmo método e existam 30 alunos beneficiados. Isso significa um gasto mensal de R$9000,00. Porque esse dinheiro não é destinado ao Instituto Estadual de Educação, maior escola pública do estado, que há não muito tempo atrás era uma referência de ensino? Esse dinheiro seria melhor aproveitado e beneficiaria um número muito maior de estudantes. Sou a favor de cotas para alunos do ensino público, mas somente se antes elas oferecerem condições dignas de estudo.

A UFSC oferecia - não sei se ainda o faz - um cursinho preparatório para o vestibular para alunos de baixa renda. O curso contava com professores voluntários dos melhores colégios de Santa Catarina, tendo níveis de aprovação consideráveis. Isso sim é inclusão social, isso é dar oportunidade igual para todos.

Segundo o Diário Catarinense, “20% das vagas são destinadas a estudantes que cursaram os ensinos fundamental e médio em escolas públicas - negros inclusive, que não tenham conseguido entrar no total de 70%. Os 10% restantes serão destinados a estudantes afrodescendentes que não conseguiram ingressar pela classificação geral e pelas cotas de escolas públicas. No caso dessas vagas não serem preenchidas, elas serão destinadas a afrodescendentes vindos de outros tipos de estabelecimentos de ensino”. Ou seja, se você for negro e não passar, é porque você possui apenas um terço do seu cérebro.

Como se isso tudo já não fosse ruim o suficiente, o Diário apresentou uma matéria tendenciosa e inverossímil. Li a reportagem toda, e citaram apenas duas pessoas que são contra as cotas. Com uma simples pesquisa no Orkut, podemos observar que não é bem assim.

“Os candidatos beneficiados pelas cotas vão se submeter aos mesmos critérios de eliminação dos demais candidatos: obter nota mínima de 3,0 na prova de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e na Redação, somar 20 pontos no conjunto das demais questões e não zerar em alguma outra disciplina ou no conjunto das discursivas.”

Haverão pessoas entrando em cursos exigentes e concorridos como Direito, Engenharias, Odontologia e, especialmente, Medicina com pouco mais de vinte pontos. Para um parâmetro de comparação, a nota de corte em Medicina ano passado foi 77 pontos, e eu fiz 73,5. Pessoas que farão 30 pontos tirarão a vaga de quem fez 60, 70 pontos. Isso significa que teremos profissionais de alta qualidade daqui há alguns anos no mercado. Se eles chegarem ao fim, é claro.

Agora, a parte que me toca. Trinta porcento das vagas serão rifadas entre pessoas de conhecimento questionável. No curso que eu gostaria de ingressar - medicina -, lá se vão trinta vagas. Suponhamos que esse ano, o número de inscritos para medicina seja um pouco maior que o do ano passado: 5000 pessoas. Divididos pelas 70 vagas restantes, serão aproximadamente 71,5 candidatos por vaga.

71,5 candidatos por vaga.



15 comentários

É. Mas que grande bela bosta 8D Eu sempre disse que medicina mata. Eu não sou favor das cotas para negros. o.o Não mesmo. Sou contra discriminação racial e cotas só contribui para destacar que ela ainda existe! E também porque rouba vagas xDDDD
Concordo com você nos pontos citados nos post e só digo mais uma coisa:
Boa sorte. \o


por Shino
11/07/07 às 11:45.

Cara, eu acho cotas um absurdo! Ano passado eu tinha começado a organizar uma passeata contra elas, mas não foi pra frente, tanto porque ninguém queria se dar ao luxo de andar pelas ruas da cidade exigindo educação básica e de qualidade, e não cotas, e também porque desanimei ao pensar que talvez não fizesse a mínima diferença.
Mas, pô, isso é tampar o sol com a peneira, eu concordo com você, chega a dar raiva essa enrolação que o governo faz!

Bom, eu não sou negra, nem parda, sou branca, branquela e todos aqueles adjetivos carinhos. Mas eu poderia entrar nas cotas dos alunos da rede pública. Não vou fazer isso, quero entrar na faculdade por esforço próprio.

Beijos!


por Pree.
11/07/07 às 14:42.

pra mim, cotas para negros é um atestado de inferioridade. ridículo.
mais fazer o que? enquanto os nossos deputados, senadores ou sei lá que tipo de pessoa faz uma lei dessa nao cai na real, vai ser assim…
esse ano também vou prestar vestibular…
entao boa sorte pra nós
e que nenhum cotista roube nossas vagas \o/


por Vanessa
11/07/07 às 16:44.

Cotas para negros serve para criar mais preconceito do que já tem, é chama-los de incapacitados, praticamente. Eu sou branco e não tenho nenhum preconceito contra os negros (afredescendente é muito comprido para escrever) mas é ridículo esse tipo de inclusão social. Se acham que eles necessitam de chances, dêem a eles um ensino decente, pois assim se cria chances em que irá provar o desempenho e não humilha-los. O mesmo para os não-muito-favorecidos-financeiramente, é assim que se cria igualdade social.
Oras, tirar vagas de pessoas que poderão vir a ser grandes profissionais e dar para outros desqualificados.

Ótimo post, diferente dos outros…


por Anibal Sólon
11/07/07 às 16:57.

(bom que aqui em Passo Fundo “tchê”, as cotas não influem muito, mas minha namorada pretende/pretendia fazer para a UFSC, que saco u.u)


por Anibal Sólon
11/07/07 às 16:59.

(poxa, tenho que parar de comentar, mas adorei a categoria “pseudo-intelectual” 8D preciso de uma assim)


por Anibal Sólon
11/07/07 às 17:01.

Única coisa que posso dizer é boa sorte, xuxu : /
Vestibular eh foda, pra medicina então, é inimaginável. Me dá arrepios só de lembrar a época de cursinho.

*eu falo isso, mas adorava aquela época.. tcs*


por Pri
11/07/07 às 17:24.

No vestibular que fiz como treineira na UFPR (dps eu voltei pra Recife e faço UFPE), o curso de Publicidade tinha apenas 30 vagas, das quais 12 eram para cotas.

Resumindo: 69 candidatos/vaga, maior que medicina.

Acho que as cotas precisams er implementadas de oura maneira pois elas são necessárias!

;*s


por Gabi
11/07/07 às 18:39.

Esse assunto me revolta. Sim, como você eu também sou contra as cotas (tanto para oriundos de escolas públicas quanto para negros).
Enquanto o governo quiser “agradar” o pessoal ‘lá de fora”, mostrando que nossa universidade pública é “para todos”, o nosso país continuará atrasado.

Fala sério, é certo tanta gente da escola privada, q batalha tanto (em muitos casos os pais não podem nem pagar, mas fazem o sacrifício), ver sua vaga voando p/ as mãos d uma pessoa menos preparada???

Mas, fazer o q, é o Brasil!

(E ótimo blog!)

bj


por Del
11/07/07 às 20:42.

ridiculo u.u , tanta coisa que somos todos iguais, então por que alguns têm mais oportunidades?! enfim…
um post diferente dos habituais, mas nem por isso pior =)

“71,5 candidatos por vaga.” =o boa sorte


por Kat
12/07/07 às 12:01.

Ah, mas se for assim eu sou uma burguesinha inútil também!
Acho ridículo essa história de cotas, totalmente, tanto para alunos do ensino público quanto para negros.
Posso ser ruim ou qualquer coisa assim, mas espero que nem metade dos que iniciem a universidade passando pelo método de cotas a termine. É necessário haver preparo e igualdade (real, não essa inventada, por favor), o que seria conquistado com a melhora do ensino público em si ou com cursos preparatórios (como esses que a UFSC fazia, aí sim). Melhora do ensino público parece utopia, mas se as universidades federais são boas, por que os colégios públicos não podem ser?
Essa pesquisa do Diário é piada, né? Só pode ser… ou foram questionar nas escolas públicas.
Meu primo vai fazer UFSC e disse que vai se colocar como afrodescendente e não tem como questionarem isso porque mais ou menos distante há uma descendência. Não conheço uma pessoa que não está puta com essa coisa da UFSC!


por Aline
13/07/07 às 16:47.

Aii estou indignada tambem! Foram votadas cotas na minha universidade tambem (UFRGS). Vão ser cotas sociais e racias (estas ultimas mais absurdas ainda), roubando 30% das vagas das pessoas que realmente estudam! Sério muita raiva! E viva as burguesinhas! hehehe :P
Ah, eh a primeira vez que venho aqui…gostei bastante! ^^
Prazer, beijos!


por Gabe
14/07/07 às 00:18.

*Aqui em POA, o curso de medicina, que antes tinha 140 vagas, simplesmente pulou para 98 por causa das malditas cotas. absurdo ¬¬


por Gabe
14/07/07 às 00:21.

Nem tenho mais saco pra falar de cota. Na UERJ tem cota há séculos. Ano passado entrou para Inglês um cotista que tirou TRÊS de VINTE pontos na prova. Entrou de primeira. E eu, que fiz 17,5 fiquei pra reclassificação. Ainda bem que conseguir entrar…
Mas isso é mega injusto. Sie lá… é foda. To cansada desse assunto, mesmo. Só aumenta o preconceito dentor da universidade. Eu sei o que to dizendo.

Gabi! Você TAMBÉM é alergica a penicilina?? Minha alma gêmea!!


por Bruh
14/07/07 às 16:00.

É por essas e outras que digo que o preconceito é feito pelo próprio negro. Numa situação como essa elas não reinvidicam nada né? Claro, é algo que está favorecendo-os. Eles tem noção do quanto esta medida é preconceituosa, mas não fazem nada à respeito, poucos querem de fato serem aprovados numa federal por capacidade, concorrendo livremente com os demais candidatos. É isso que temos num país onde tudo que é cômodo é melhor: atestado de incapacidade!
E boa sorte no teu vestibular ;)

Beijos!


por Ana Carolina
15/07/07 às 03:04.

solta a franga!

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